Setor de Ciências Biológicas

Biomedicina da UFPR premia estudos sobre câncer a nível celular

O Centro Acadêmico de Biomedicina da UFPR (Cabiom) realizou em dezembro, de forma online, o IV Colóquio e Mostra de Trabalhos Científicos da Biomedicina. Durante o evento, estudantes de diversas áreas puderam apresentar seus trabalhos em andamento.

As três melhores pesquisas,avaliadas pela comissão julgadora, trazem resultados com células tumorais e podem, no futuro, contribuir no tratamento de dois tipos de câncer. Confira!

Entendendo as células de câncer cerebral

O glioblastoma humano é um dos tumores cerebrais mais agressivos. Ele se forma nas células do sistema nervoso central, e pela sua localização, tem difícil tratamento.

Por meio do cultivo em laboratório, a estudante Mariane Bueno busca entender como as células tumorais se comportam. “A gente percebeu que duas linhagens têm padrões de crescimento diferentes entre si, com respostas distintas ao tratamento”, ressalta.

Para isso, ela fez experimentos em cultivo tridimensional, com as linhagens A172 e T98G. As células foram colocadas em formato de gotas em uma placa e mantidas suspensas, adotando o formato de esferas.

Após um período de três dias, a linhagem A172 cresceu em menor número e tamanho que a T98G. “A linhagem menos proliferativa tem esferas menores e, portanto, pode ser menos agressiva que a outra”, explica Mariane.

A futura biomédica faz Iniciação Científica no Laboratório de Oxidações Biológicas, orientada pela professora Sheila Winnischofer. A equipe estuda a resistência das células a medicamentos, como a Temozolomida, que podem combater a evolução da doença. A responsividade dessas células em forma de esferas ao tratamento será o tema do Trabalho de Conclusão de Curso de Mariane.

Para que os estudos avancem para aplicação, ainda há um longo caminho. Porém, Mariane se diz “animada com o projeto, pesquisando o quanto der para entender melhor isso. É importante perceber como o que a gente faz aqui pode tomar grandes proporções e afetar a vida das pessoas”.

Clique para ampliar. Sequência dos experimentos de Mariane para entender o comportamento das células de glioblastoma

Clique para ampliar. Sequência dos experimentos de Mariane para entender o comportamento das células de glioblastoma

Algas vermelhas e células de melanoma 

O melanoma é um dos tipos de câncer de pele mais agressivos, pois produz metástases e pode levar os pacientes a óbito.

Como a maior parte dos tratamentos trazem efeitos colaterais, pesquisadores da UFPR investigam compostos naturais e que atuem preferencialmente sobre as células tumorais.

A aluna Bruna Visnheski, sob orientação da professora Fernanda Simas, desenvolveu experimentos para verificar se as carragenanas, compostos encontrados em algas vermelhas são citotóxicas.  Ou seja, se matam as células ou não.

A estudante testou a interação da kappa-carragenana, um dos subtipos das carragenanas e seus derivados, com linhagens tumorais e não-tumorais de camundongos. Nas concentrações testadas, as substâncias não mataram as células de melanoma e nem interferiram na sua multiplicação.

Outro experimento avaliou a capacidade das células saírem do tumor primário e ir para outro local, formando metástases. Embora os resultados ainda estejam em análise, houve uma redução das células que fizeram essa movimentação. “De alguma forma os compostos estão reduzindo a invasão das células, o que é bem interessante! Isso significa que menos células terão a possibilidade de sucesso em uma metástase”, avalia Bruna.

Como a kappa-carragenana e seus derivados não se mostraram tóxicos para as células saudáveis, se credenciam como um tratamento menos agressivo à doença no futuro.

Sobre o desenvolvimento dessas pesquisas durante o curso de Biomedicina, Bruna pontua: “Eu acho fundamental que haja esse trabalho de pesquisa de base, pois é a partir disso que conseguimos avaliar parâmetros para definir se alguns compostos podem caminhar para se tornarem medicamentos, além de desenvolver métodos menos agressivos para o tratamento de determinadas doenças. Por isso a participação do biomédico é de fundamental importância”.

Clique para ampliar. A sequência mostra o trabalho realizado por Bruna para avaliar a ação antitumoral das carragenanas

Clique para ampliar. A sequência mostra o trabalho realizado por Bruna para avaliar a ação antitumoral das carragenanas

Atividade antitumoral de pectinas

A mestranda em Biologia Celular e Molecular da UFPR Keila Taiana Vaz da Luz também estuda o melanoma. Porém, ela escolheu pectinas – substâncias encontradas principalmente em frutas cítricas – para avaliar a interação delas com as células do melanoma.

Três pectinas foram escolhidas para a pesquisa:  duas arabinogalactanas (AG150E e a AG150R), presentes na ameixa seca, além da homogalacturonana (HG), oriunda do maracujá. “Quando vimos a estrutura das pectinas, encontramos substâncias que poderiam desencadear um efeito na célula”, explica a pesquisadora.

Keila selecionou duas linhagens de células tumorais: uma de camundongo e outra de um tumor humano, preparadas para o trabalho no laboratório. Ambas foram submetidas a diversas concentrações das três pectinas durante três dias.

Apenas a pectina AG150R apresentou atividade antitumoral, que foi diferente, de acordo com a concentração da substância. A 1000 mg/ml, ocorreu citotoxicidade, provocando a morte celular. Porém, a 100 mg/ml, isso não aconteceu. “A partir daí, fui verificar outros parâmetros, como a capacidade de se mover, de se multiplicar formando colônias, de invadir vasos sanguíneos, mesmo não matando a célula”, explica Keila. Se isso for comprovado, a AG150R poderá barrar a metástase e auxiliar no tratamento do melanoma.

Outro achado importante é que não houve atividade tóxica da pectina AG150R em células não-tumorais de camundongos, nas várias concentrações testadas, após 72h. “Nossos olhos brilharam, mas ainda é muito cedo para cravar algum resultado”, afirma a mestranda. Embora haja indícios, Keila ressalta que ainda são necessários testes com outras células do organismo para comprovar a atividade antitumoral da pectina sem riscos para as células saudáveis.

Formada em Ciências Biológicas e oriunda de escola pública, Keila orgulha-se de desenvolver um trabalho que pode reverter em benefícios à população. “Se ninguém começar, não haverá soluções que podem ajudar a vida de alguém,” finaliza.

Clique para ampliar. A sequência mostra o trabalho realizado por Bruna para avaliar a ação antitumoral das carragenanas

Clique para ampliar. A sequência mostra o trabalho realizado por Bruna para avaliar a ação antitumoral das carragenanas

Homenagem

Por ter sido escolhido o melhor trabalho do colóquio, Keila recebeu o prêmio Victor Maltese Stoco, batizado em homenagem ao estudante de Biomedicina da UFPR que faleceu em novembro de 2020.

Desde o início do curso, Victor atuou na iniciação científica. Primeiramente, no Laboratório de Química de Carboidratos e Glicoconjugados da UFPR. Com a experiência, em 2017, participou de um estágio no Laboratório de Glicobiologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), pelo programa Aristides Pacheco Leão de Estímulo a Vocações Científicas, da Academia Brasileira de Ciências (ABC). Na ocasião, ele dizia-se maravilhado: “Eu sou de Curitiba e moro com meus pais. Foi minha primeira vez sozinho por um mês. longe de casa. Uma boa oportunidade de ver como funciona um grande centro do Brasil e de trabalhar minha independência”.

O aluno esteve também no Institute of Technology Sligo, na Irlanda em 2019, com bolsa da UFPR, oferecida para alunos passarem um semestre ou um ano estudando em universidades parceiras. Realizou ainda estágio voluntário no Laboratório de Imunoquímica da UFPR e, atualmente, era bolsista de Iniciação Científica no Instituto Carlos Chagas/Fiocruz-PR, no Laboratório de Proteômica Estrutural e Computacional.

Victor também foi um dos fundadores da Empresa Junior Chromos, em 2017 e atuou no Cabiom na gestão de 2018.

victor

Foto: arquivo pessoal

Por João Cubas

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