
(Foto: Labceas/Divulgação)
A equipe do projeto Olha o Bicho!, ligado ao Laboratório de Biodiversidade, Conservação e Ecologia de Animais Silvestres da Universidade Federal do Paraná (Labceas/UFPR), promoveu no dia 22 de novembro uma ação no Parque Tingui, em Curitiba, para compartilhar com a comunidade os resultados de dois anos de pesquisa e extensão sobre atropelamentos de animais silvestres. A atividade incluiu um estande informativo, distribuição de panfletos e orientações ao público. O parque é um dos dois pontos monitorados pela iniciativa; o outro está no entorno do Jardim Zoológico de Curitiba.
Criado em janeiro de 2023, o Olha o Bicho! é um projeto de extensão voltado ao monitoramento participativo de fauna atropelada no entorno de unidades de conservação urbanas da capital paranaense. A proposta surgiu com a intenção de produzir dados sistemáticos, estimular a participação da população e fortalecer a divulgação científica sobre o tema. A equipe reúne 21 integrantes, que vão de estudantes de graduação a pós-doutorandos, vinculados principalmente à UFPR, com colaboradores da PUCPR (Pontifícia Universidade Católica do Paraná), UNILA (Universidade Federal da Integração Latino-Americana), além de parceiros externos e pesquisadores independentes.
O trabalho se organiza em três frentes: monitoramento de fauna atropelada, Ciência Cidadã e divulgação científica. As observações são feitas semanalmente, a pé ou de bicicleta, com registros padronizados que incluem localização, identificação taxonômica e imagens do entorno. Um canal de WhatsApp recebe contribuições espontâneas de moradores da capital e região metropolitana, enquanto o perfil no Instagram divulga conteúdos semanais sobre conservação e ecologia de estradas.
Os resultados revelam um pouco da dimensão do problema do atropelamento de fauna urbana em Curitiba. No Tingui, foram 44 expedições de campo em dois anos, com 235 animais silvestres encontrados mortos por atropelamento. Anfíbios lideram as ocorrências, seguidos por mamíferos, aves e répteis. No trecho monitorado próximo ao zoológico, ainda em fase inicial, 10 expedições identificaram 47 carcaças, com predomínio novamente de anfíbios. Uma análise realizada para o trecho do Tingui estimou que mais de 1,6 mil animais morrem atropelados anualmente nos 5,1 km avaliados.
O eixo de Ciência Cidadã também já apresenta retorno: desde junho de 2025, o canal de WhatsApp do projeto recebeu 13 registros (sobretudo de aves) enviados por moradores. Já o perfil no Instagram acumulou 111 publicações e alcance mensal superior a 2,7 mil contas, com maior presença de público entre 25 e 34 anos.
Para os próximos meses, a equipe concentra esforços em ampliar a produção acadêmica e de extensão, incluindo iniciações científicas, materiais didáticos para escolas, artigos científicos e resumos para congressos. O projeto também prepara ações para fortalecer a integração entre divulgação científica e participação da comunidade no monitoramento.
Por Lívia Inácio (SUCOM) – em 01/12/2025.