Lislaine Fernanda de Souza do Nascimento, 22, tinha apenas nove anos quando conheceu o atletismo. Levada pelos pais para participar de uma competição de rua chamada Corrida da Lua Cheia, sentiu vontade de fazer daquela experiência muito mais do que um momento de lazer. Aos 11, conquistou o terceiro lugar geral nos 5 km, após muito treino. Aos 16, passou a ser treinada pelo professor Vidal Palacios Calderón, do Departamento de Educação Física da UFPR (Universidade Federal do Paraná), e, aos 20 foi campeã de 100 metros rasos de atletismo do estado do Paraná, marco que consolidou sua transição de promessa precoce para destaque no atletismo estadual. Esse recorde não era batido havia mais de 30 anos.
A jovem está no 4° ano do curso de Educação Física na Unicesumar, e diz que seu aprendizado com o professor Vidan na UFPR vai além das competências técnicas, passando também por disciplina, constância e dedicação. “Passei a entender métricas, indicadores, planejamento e como cada treino tem um propósito real para alcançar resultados. Foi uma mudança completa na forma de enxergar o esporte e minha carreira”, diz.
A atleta tem uma rotina de treinos rigorosa e um estilo de vida que destoa do cotidiano da maioria das jovens da sua idade: dorme sempre às 22h, acorda sempre às 7h, consome suplementos e toma café da manhã reforçado todos os dias, além de seguir uma dieta à risca, focada em condicionamento físico. “Não existe escapadinha. Por exemplo, sábado tem treino, então, sexta não tem pizza”.
A agenda de corridas também é cheia. “Há quatro anos não passo um aniversário com minha família por causa de competições. Independentemente do compromisso, o atletismo sempre vem em primeiro lugar”. Outro desafio são as lesões. “Já tive várias e ainda lido com algumas, o que exige conciliar tratamentos com a rotina intensa de treinos”.
Para lidar com tantos desafios, a jovem conta sempre com o apoio dos pais e do treinador. “Já precisei me reeducar bastante, porque antigamente eu passava mal antes das provas por ansiedade. O professor me ensinou a entrar na pista sem medo, focada em dar o meu melhor. Ele sempre diz ‘racha o coco’, e eu respondo ‘vou dar a vida’. Entro na prova com a mentalidade de fazer o melhor resultado que já tive”, diz.
Além de ser incentivada pelos pais desde criança, a jovem também se inspira em duas grandes referências do atletismo: Vitória Rosa e Ana Cláudia Lemos.”Antes mesmo de eu ser velocista, meu pai já me mostrava vídeos da Ana Cláudia. Quando pensei em migrar para a velocidade, um professor me apresentou a Vitória Rosa, que estava em grande destaque, e passei a acompanhar sua trajetória de perto. Anos depois, tive o prazer de conhecer e conversar com as duas. Inclusive, a Ana Cláudia Lemos chegou a me orientar em um revezamento, o que foi muito marcante pra mim”, diz.
Agora, seu principal objetivo é disputar as duas maiores competições de atletismo do Brasil: o Troféu Brasil e o Troféu Adhemar. O plano é chegar entre as três primeiras colocadas ou alcançar a marca de 11s20 nos 100 metros. E, para quem quer ingressar nesse universo, a atleta recomenda persistência e muita autoconfiança.
“Eu diria que o atletismo vai além da pista. Ele me ajudou a desenvolver disciplina, vencer a timidez e construir confiança em mim mesma. Não é um caminho fácil, exige renúncias e constância, mas é extremamente transformador. Se você ama o esporte, persista, confie no processo e acredite no seu potencial, mesmo quando ninguém mais acredita. O resultado vem para quem não desiste”, finaliza.
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Por Lívia Inácio, SUCOM, em 27/01/2025.