Richit concorreu na categoria II, com uma foto do Pilocarpus microphyllus, planta conhecida como jaborandi e estudada pelo servidor em seu doutorado. A beleza da obra, obtida a partir de um microscópio, unida à importância científica e ecológica da espécie e dos estudos associados a ela, renderam ao pesquisador o terceiro lugar.
Nascido em Maximiliano de Almeida, no interior do Rio Grande do Sul, Richit se formou em Ciências Biológicas em 2019 pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e fez mestrado em Botânica na mesma universidade, investigando as estruturas secretoras responsáveis pela produção de óleos essenciais em Myrtaceae, a família da jabuticabeira.
Seu doutorado, iniciado em 2023 na UFRGS, tem como foco entender como a pilocarpina, princípio ativo do jaborandi utilizado no tratamento do glaucoma, é distribuída pela planta.
“A ideia é que esse conhecimento ajude a encontrar formas mais sustentáveis de se obter a pilocarpina, já que o Pilocarpus microphyllus é uma espécie ameaçada de extinção”, diz o pesquisador.
Apesar de seu doutorado estar sendo realizado pela UFRGS, Richit mantém parcerias com diferentes pesquisadores e instituições, como a própria UFPR. Um dos grandes desafios dos seus estudos é transportar o jaborandi para o sul do Brasil, já que a planta é natural da Amazônia e não se adapta bem às condições naturais de Curitiba. “É um processo caro e que demanda agilidade”, diz.
No ano passado, o jovem foi convocado para assumir o cargo de biólogo no biotério da UFPR, onde atua em atividades de apoio à gestão dos laboratórios de nível 3 de biossegurança (NB-3 e NBA-3), ambiente destinado ao trabalho com agentes de risco biológico. Logo após a convocação, Richit se mudou para Curitiba e conta ter se encantado pela cidade, por onde adora praticar caminhadas. “Acho tudo muito bonito e organizado”, diz.
Futuramente, o pesquisador espera somar seus conhecimentos em botânica ao seu trabalho do biotério. Segundo ele, o potencial das biomoléculas presentes nas plantas poderá ser testado quanto à sua ação contra agentes infecciosos no ambiente de contenção biológica do NB-3, assim que o laboratório estiver em funcionamento. Mas esse é um caminho de longo prazo.
Em julho, o pesquisador fez as malas e viajou para Recife para receber oficialmente o Prêmio de Fotografia do CNPq, entregue durante a 77ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), realizada de 13 a 19 de julho na Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). Os valores destinados aos vencedores de cada categoria foram de R$ 15 mil para o primeiro lugar, R$ 10 mil para o segundo e R$ 5 mil para o terceiro. Parabéns ao nosso pesquisador!
Foto: “Explorando a estrutura anatômica de Pilocarpus microphyllus”, José Fernando Richit
Confira dois estudos publicados por Richit:
Por ASPEC, em 08/08/2025