O servidor Anderson Luiz Christ chegou recentemente à Universidade Federal do Paraná (UFPR), onde assumiu seu posto de Técnico Administrativo em Educação – Biólogo, no Museu de Ciências Naturais da UFPR. Vindo de uma trajetória acadêmica e docente no Rio Grande do Sul e depois em Santa Catarina, ele brinca que está “subindo um estado por vez”. Especialista em Botânica, com forte ênfase em Taxonomia de Plantas, Anderson traz consigo uma sólida formação e paixão pela organização e classificação da biodiversidade.
Nascido em 14 de março de 1994, em Três de Maio, no noroeste do Rio Grande do Sul, Anderson era, na infância, a típica criança fascinada por dinossauros, documentários sobre a fauna africana e programas como o Globo Repórter. Embora tenha cogitado seguir a área da Saúde, optou por cursar Ciências Biológicas na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), onde iniciou sua jornada científica.
Curiosamente, seu trabalho atual com taxonomia tem raízes na infância: por volta dos 7 ou 8 anos, colecionava pedaços de plantas, colava em cadernos e os rotulava, tornando-se o “terror das senhorinhas da rua” ao arrancar flores de seus jardins. Embora inicialmente desejasse trabalhar com zoologia ou paleontologia, teve uma reviravolta durante a graduação, quando redescobriu seu interesse pelas plantas.
Na pós-graduação, realizada na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), ele consolidou-se como taxonomista, a área metódica de classificar e descobrir relações. Para Anderson, a taxonomia tem um papel fundamental e prático: “O primeiro passo no conhecimento e aplicação de alguma coisa é acertar o nome”. Isso vale especialmente para as plantas: seja para um medicamento, um chá ou para comercialização, é essencial saber identificá-las corretamente.
Sua especialização o levou a estudar o gênero Chromolaena, um grupo complexo com cerca de 70 espécies da família das margaridas (Asteraceae). O desafio de “entender o que diferencia uma da outra” explica por que poucos se dedicam a esse grupo. Em 2020, Anderson participou do lançamento do portal online da Flora do Brasil, contribuindo com o tratamento taxonômico do gênero — uma de suas maiores alegrias profissionais.
Recém-chegado no UFPR e na cidade, relata que já conhecia o Campus e o Setor de Ciências Biológicas de uma visita feita durante o mestrado, por volta de 2017, quando veio para revisar a coleção do herbário para sua pesquisa. Ao subir a rampa de entrada no dia em que efetivamente começou a trabalhar na UFPR, foi que percebeu a coincidência.
Integrante da equipe do MCN, Anderson começou o trabalho no mês da reforma e reabertura do Museu, o que exigiu grande flexibilidade. Ao mesmo tempo, relata a familiaridade com o espaço, tanto por se identificar com o ambiente das coleções e seu viés de organização, quanto porque pôde contribuir diretamente para a montagem da nova exposição permanente, o que criou uma familiaridade ainda maior com o espaço.
Fora do trabalho, Anderson aprecia o turismo histórico, visitando museus, praças e ruas com arquitetura antiga. Também cultiva o hábito da leitura de ficção e dedica parte do tempo aos jogos eletrônicos como forma de relaxamento. Seu conselho para quem está começando na taxonomia ou na vida acadêmica é direto: “Vá com a cabeça aberta, com o emocional e o psicológico prontos para as coisas não darem certo!”. Para ele, é justamente nos erros e desafios que se encontra o verdadeiro aprendizado.