Andrey Andrade completou 10 anos de UFPR este ano. Professor do departamento de Patologia Básica, ele brinca que sua sala parece ser “refeitório, oratório, consultório e até confessionário”, um ponto de parada acolhedor para quem passa no corredor. Especialista em Parasitologia e Entomologia médica, a formação do docente envolve a entomologia, a taxonomia e a parasitologia, com uma especialização sólida, especialmente em relação aos flebotomíneos, grupo de insetos vetores das leishmanioses visceral e tegumentar.
Natural de Minas Gerais, de Bias Fortes, uma cidade com pouco mais de três mil habitantes, saiu de casa aos 16 anos para estudar em Juiz de Fora, com o apoio dos seus pais e tios. Sua família sempre reconheceu a importância da educação e incentivou os seus estudos. Mesmo com certa pressão social para que estudasse medicina ou engenharia, a paixão pelos animais que cultivava desde criança, somada à inspiração em alguns professores que teve, o conduziram à biologia. Como ele afirma: “sempre gostei de bicho”.
Cursou Ciências Biológicas na Universidade de Juiz de Fora (UFJF), de onde recorda com carinho e gratidão pela qualidade do ensino e pelos amigos que guarda até hoje. Ainda na graduação, suas experiências, dentre elas, estágios envolvendo artrópodes, a realização de uma pesquisa voltada a malária e a monitoria de uma disciplina de parasitologia, fizeram com que passasse pelos três pilares da parasitologia ainda na graduação, definindo ali qual seria sua especialidade.
Seu mestrado e doutorado foram ambos realizados na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e com a pesquisa voltada para os flebotomíneos. O interesse pelo grupo surgiu de forma inesperada: ao iniciar o mestrado, ele esperava trabalhar com algum inseto alado, mas imaginava que seriam as moscas, até que surge uma oportunidade de projeto voltado para esse grupo de insetos, e, com o tempo, seu interesse por trabalhar com esse grupo cresce, tornando-se um especialista consistente, com a maioria de suas publicações voltadas aos flebotomíneos.
Para Andrey, ter iniciativa foi fundamental para tornar-se o profissional que almejava e superar os desafios como viver longe da família: “Toda essa fase, para mim, foi extremamente importante para construir o Andrey pesquisador. Ela me deu uma autonomia. Ela me permitiu conhecer pessoas. Porque, como eu disse, eu nunca tive vergonha de pedir e de perguntar, nem de ir.”
O pós-doutorado, feito na Universidade de São Paulo (USP) com bolsa pela FAPESP, surge de um desses contatos. Ali também teve o primeiro contato com a orientação de estudantes e a docência, quando sua supervisora, por vezes, confiava a ele as orientações de alunos e idas a congressos. Um tempo depois, passou a atuar como professor visitante na Universidade de Brasília e, nesse momento, descobre sua grande paixão: ensinar.
Depois de algum tempo atuando na Universidade de Brasília (UnB), passou no concurso para parasitologista na UFPR em 2016, quando chega a uma de suas maiores realizações profissionais: atuar como professor titular em uma universidade pública. A partir desse momento, pôde ter mais estabilidade e a certeza de que finalmente estava onde sempre quis.
Para ele, a docência é a melhor parte de sua carreira, onde descobriu ser mais humano, onde reside a oportunidade de ajudar e aprender. Ser professor, em sua visão, além de um grande privilégio, é uma grande honra. Ele conta não medir esforços para dar aulas interessantes, estar em constante processo de aprendizado e dar atenção às questões dos alunos, sejam elas acadêmicas ou pessoais.
Com carinho, o docente costuma dizer aos alunos que eles também são seus “experimentos” e, com toda a convicção, reforça: “sou um professor que pesquisa, e não um pesquisador que dá aula.”
Fora da academia, Andrey define-se como uma pessoa caseira, que encontra prazer nas atividades cotidianas como cuidar das suas cachorrinhas Gilda e Nilda. Seu grande interesse por história também dita seus hobbies, levando-o a acompanhar séries de época, e a manter uma rotina de leituras focada especialmente no Brasil Imperial e em grandes guerras.
E se você ficou com curiosidade e quer indicações de livros do professor Andrey, aqui vão elas:
Por Louie Pedroza, estagiária na ASPEC.