[Perfil Biológicas] Fernando Passos

O professor e pesquisador Fernando de Carmargo Passos da Universidade Federal do Paraná construiu sua trajetória acadêmica guiado por uma paixão antiga: os animais e a natureza em estado livre. Especialista em ecologia e conservação de animais silvestres, especialmente mamíferos, ele atua hoje no ensino, na pesquisa e na extensão universitária articulando ciência, formação de estudantes e conservação da biodiversidade brasileira.

Desde o início da formação acadêmica, o interesse pela fauna esteve presente. Ainda na graduação, buscou experiências práticas, realizando múltiplos estágios simultaneamente e aproximando-se cedo da pesquisa científica. Essa postura ativa, marcada pela curiosidade e pela busca constante por oportunidades, tornou-se uma característica central de sua carreira e também um conselho recorrente aos estudantes: é preciso iniciativa, dedicação e disposição para aprender continuamente.

Ao longo de sua trajetória acadêmica, consolidou sua atuação na área da conservação da fauna silvestre. É biólogo pela Universidade Federal de São Carlos (1987), mestre em Ecologia pela Universidade Estadual de Campinas (1992), doutor em Ecologia e Recursos Naturais pela Universidade Federal de São Carlos (1997) e realizou pós-doutorado pela Universidade Estadual de Campinas com bolsa da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (1998). Durante o mestrado, doutorado e pós-doutorado, trabalhou com espécies ameaçadas de extinção e participou diretamente da elaboração de listas oficiais de espécies ameaçadas em níveis estadual e nacional. A participação na organização do primeiro Workshop de Fauna Ameaçada do Estado de São Paulo, ainda como doutorando, é lembrada como um momento marcante de inserção científica e de contribuição efetiva para políticas de conservação.

Sua trajetória profissional também inclui uma forte interface entre universidade e sociedade. Após o grande vazamento de petróleo ocorrido na Refinaria Presidente Getúlio Vargas (REPAR), em 2001, foi convidado a coordenar projetos de monitoramento da fauna impactada. O trabalho, inicialmente planejado como um diagnóstico rápido, transformou-se em um acompanhamento ambiental de longo prazo, envolvendo anfíbios, répteis e mamíferos e resultando em anos de pesquisa aplicada, relatórios técnicos e novas parcerias institucionais.

Na UFPR, consolidou o Laboratório de Biodiversidade, Conservação e Ecologia de Animais Silvestres/LABCEAS, espaço construído a partir de projetos científicos, orientação de estudantes e iniciativas próprias.

A docência, que inicialmente parecia apenas um caminho necessário para seguir a carreira universitária, tornou-se uma das dimensões mais significativas de sua atuação. Para ele, “Ensinar é um processo de troca permanente: professores aprendem constantemente com seus alunos, suas perguntas e suas pesquisas. Momentos de reconhecimento estudantil — como ex-alunos que retornam para agradecer por terem redescoberto o interesse pela biologia após suas aulas — figuram entre as experiências mais emocionantes da carreira”.

Defensor do ensino público, destaca frequentemente a importância do compromisso estudantil com a universidade. Formado integralmente em instituições públicas, reconhece o investimento coletivo que sustenta o ensino superior brasileiro e enfatiza que a formação acadêmica exige responsabilidade, protagonismo e engajamento ativo dos estudantes.

Entre suas principais iniciativas de extensão está o Projeto Olho Bicho!, ação que integra monitoramento de fauna atropelada, ciência cidadã e divulgação científica. O projeto reúne estudantes e pesquisadores em atividades de campo, análise de dados e diálogo com o poder público para propor medidas concretas de mitigação de atropelamentos de animais silvestres em áreas urbanas e naturais. Para o professor, o projeto representa um exemplo claro do papel social da universidade: produzir conhecimento científico capaz de gerar impacto direto na conservação da biodiversidade.

Mesmo durante a pandemia, quando o trabalho de campo foi interrompido, reinventou as atividades do laboratório incentivando pesquisas de revisão bibliográfica e síntese científica, reforçando a ideia de que o conhecimento também avança ao organizar e integrar informações já produzidas.

Fora do ambiente acadêmico, também se destaca pela curiosidade em conhecer novas culturas e experiências, interesses que se refletem na gastronomia, nas viagens e nos encontros sociais. Apaixonado por culinária, aprecia experimentar pratos de diferentes países e participar do preparo das refeições em casa. Casado com uma pesquisadora de origem coreana e japonesa, incorporou à rotina familiar o contato com pratos tradicionais asiáticos, além de cultivar o interesse por vinhos e momentos de convivência com amigos e familiares.

Movido pela curiosidade científica e pelo entusiasmo em formar novas gerações, mantém uma convicção simples que orienta sua trajetória:

“Ainda conhecemos muito pouco sobre a biodiversidade do planeta”. Para ele, a missão da ciência — e da universidade pública — é justamente continuar aprendendo, investigando e formando pessoas capazes de ampliar esse conhecimento. Para o professor, “Experiências como essa demonstram o potencial das colaborações entre universidade e iniciativa privada na geração de conhecimento e na captação de recursos para a pesquisa”.

 

Por Andressa Teixeira, estágiária na ASPEC. Em 17/07/2026.

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