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Do dia 22 a 25 de julho, em Lages – SC, 20 projetos de extensão da UFPR (Universidade Federal do Paraná) participaram do 43º Seminário de Extensão Universitária da Região Sul (SEURS), um evento itinerante que ocorre anualmente e conta com apresentações de projetos de extensão de diversas universidades públicas da região sul do país, promovendo uma troca de conhecimentos e metodologias aos extensionistas. O tema desta edição foi “Extensão e justiça socioambiental na transformação dos territórios”.
Dentre os 20 projetos selecionados através de um edital realizado pela PROEC (Pró-Reitoria de Extensão e Cultura), participaram os projetos MedEpiGen, Sem Fronteiras e OLHA O BICHO!, do Setor de Biológicas.
Além de possuírem seus stands montados durante todo o evento, os projetos poderiam se apresentar em uma das três modalidades possíveis: Tertúlias (em que os estudantes possuíam 5 minutos para apresentar o projeto e debater com os demais); Pôsteres (em que os estudantes apresentaram o projeto em pôsteres), ou ainda Oficinas.
O projeto MedEpigen, coordenado pela professora Angelica B. W. Boldt, do Departamento de Genética, visa conscientizar pais, crianças e jovens acerca da saúde e bem-estar, realizando uma aproximação entre a ciência e a comunidade escolar com diversas propostas lúdicas e educativas.
Uma dessas propostas é o jogo “Genética, digestão e saúde: Ser saudável também é gostoso!”, pensado para explicar a relação entre os hábitos alimentares e o risco (epi)genético de desenvolvimento de doenças crônicas e multifatoriais.
Camila Costa, aluna do Mestrado em Genética, que é uma das participantes do projeto e que foi à SEURS, conta que o que chamou a atenção do público foi justamente como a dinâmica do jogo representa esse risco de desenvolvimento através de fichas com termômetros, tornando acessível um tema que pode ser complexo. Segundo ela, também foi um desafio apresentar o projeto para um público já familiarizado com a extensão, mas a experiência do evento foi enriquecedora.
“Eu não tinha ideia de que a extensão universitária poderia atingir tantas formas, desde cursinhos comunitários focados no ingresso às universidades públicas até projetos de capacitação de primeiros socorros a professores da educação básica.”, compartilhou a estudante.
Arquivo PessoalSabe-se do estigma relacionado às pessoas idosas e sua capacidade de realização de atividade física, ou muitas vezes a dificuldade de sociabilização enfrentada por esse público. Por isso, o projeto Sem Fronteiras, coordenado pela professora Rosecler Vendruscolo, do Departamento de Educação Física, trabalha com a realização de atividades físicas para o público idoso, impactando em sua saúde física e mental e criando um importante espaço para socialização.
O projeto também se apresentou na modalidade de tertúlias, contando com apresentação e rodas de conversa que ajudaram a pensar sobre adaptações, dificuldades e troca de experiências, como apresentou a estudante Gabriella Salgado, participante do projeto e estudante do curso de Educação Física.
Ela conta que um dos diferenciais do projeto e que chamou a atenção do público presente foi sua quebra com o etarismo. Enxerga-se, por vezes, pessoas idosas como frágeis ou incapazes de praticar exercícios de cárdio, força, e equilíbrio, principais tipos de exercício trabalhados no projeto. “A gente ter mostrado que isso é possível e que eles são muito engajados quando envolvidos com esse tipo de atividades foi algo que deixou as pessoas da sala bem interessadas e muito intrigadas”, conta Gabriella.
Arquivo PessoalO projeto OLHA O BICHO! coordenado pelo professor Fernando Passos, do Departamento de Zoologia, realiza um monitoramento participativo de Fauna Atropelada no entorno de áreas de conservação urbanas, a fim de mitigar o problema do atropelamento e conscientizar a população acerca do tema por meio dos dados levantados.
Luana da Conceição, aluna da graduação em Ciências Biológicas e participante do OLHA O BICHO!, conta que o público se impactou com os dados apresentados pelo projeto. Segundo a graduanda, em um trecho de apenas 5,1km na região do Parque Tingui em Curitiba, 1,5 mil animais são vitimados por atropelamento todos os anos. “Quando falamos sobre impactos na conservação da fauna, o desmatamento, a caça e o tráfico de animais são mais conhecidos, e são causas seríssimas que demandam atenção. No entanto, os impactos gerados pela construção de rodovias e estradas, como o atropelamento e a fragmentação de habitats, ainda não são tão conhecidos pela população”, diz.
Além dos banners informativos, o estande do projeto também contou com jogos interativos dentro da temática do atropelamento de fauna. Foi importante incluir informações sobre o papel ecológico das espécies, na intenção de sensibilizar a população sobre a vida até mesmo das espécies mais desgostadas, como o sapo-cururu (Rhinella spp) e os gambás (Didelphis spp), o que muitas vezes é um desafio, contou Luana.
Arquivo PessoalConfira reflexões de quem participou do evento:
“Participar de projetos de extensão vai acrescentar muito na formação tanto profissional quanto pessoal! Independente da área, participar da ponte entre universidade e comunidade forma profissionais mais humanos, empáticos e que realmente enxergam os problemas da sua comunidade e estão dispostos a dar um retorno a ela! “(Camila Costa, MedEpiGen)
“O que posso dizer é para outros estudantes, sobre os projetos de extensão, é que sem dúvida são ótimas oportunidades de colocar em prática o que você está vendo no curso e testar novas áreas de conhecimento. Às vezes é lá que você consegue ter uma luz e ter certeza de que é com isso que você trabalhar” (Gabriella Salgado, Sem Fronteiras)
“Ao participar de um projeto de extensão temos a chance de colocar em prática os conhecimentos que adquirimos durante o curso, e de expandir horizontes realizando conexões e trocas por pessoas de diferentes realidades e perspectivas. […] Além disso, é uma oportunidade de diálogo e aprendizado mútuo com a comunidade, valorizando os saberes populares e reconhecendo que o conhecimento não está apenas dentro da universidade, mas também nas vivências das pessoas com quem interagimos.” (Luana da Conceição, OLHA O BICHO!).
Cada um dos projetos de extensão acima resgata de forma diferente o que há melhor na universidade: seu impacto na transformação da sociedade. A extensão forma os estudantes não só academicamente, mas também criticamente, e cria laços entre a ciência e a comunidade. Dessa maneira, a SEURS mostra-se enquanto esse espaço vivo, onde as trocas constantes culminam num avanço coletivo da consciência de que a extensão é o futuro.
Por Louie Pedrosa, em 28/08/2025. (Aspec/SCB/UFPR)